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sexta-feira, 20 de junho de 2025

Aos Capitulares Franciscanos Conventuais e Trinitários

Bem-vindos, amados irmãos e irmãs! Saúdo em particular os Superiores-gerais - ambos foram confirmados - os Conselheiros e os Capitulares da Ordem dos Frades Menores Conventuais e da Ordem da Santíssima Trindade e dos escravos, assim como os delegados das Ordens Terceiras e dos grupos laicais.

Poder receber juntos Franciscanos e Trinitários fez-me lembrar uma pintura que se encontra na abside da Basílica de São João de Latrão, que representa uma audiência da qual esta poderia ser uma bonita evocação. Com efeito, a imagem mostra o Papa Inocêncio III que recebe São Francisco e São João de Mata juntos, a fim de honrar a sua grande contribuição para a reforma da vida religiosa.

É interessante observar que São Francisco é representado de joelhos, com um enorme livro aberto, quase como se estivesse prestes a dizer ao Pontífice: «Santidade, peço-lhe apenas para viver a regra do Santo Evangelho sine glossa» (cf. Test 14-15). São João de Mata, pelo contrário, está de pé e segura nas mãos a Regra que redigiu com o Pontífice. Se São Francisco mostra a sua docilidade à Igreja, apresentando o seu projeto não como próprio, mas como dádiva divina, São João de Mata mostra o texto aprovado, após o estudo e o discernimento, como ápice de um trabalho absolutamente necessário para realizar o propósito que Deus inspirou. As duas atitudes, longe de estar em contraste entre elas, iluminar-se-iam mutuamente, constituindo uma linha-guia para o serviço que desde então a Santa Sé desempenhou a favor de todos os carismas.

Caríssimos, gostaria de concluir este encontro com os Louvores a Deus Altíssimo, o triságio escrito por São Francisco: «Tu és santo, Senhor, único Deus, que realizas maravilhas. Tu és forte, Tu és grande, Tu és altíssimo, Tu és rei todo-poderoso, Tu, Pai santo, rei do céu e da terra» (Fontes Franciscanas, 261).

Texto completo aqui.

Aos Sacerdotes da Pontifícia Academia Eclesiástica


Estou feliz em vos encontrar hoje e em dirigir a cada um de vós a minha cordial saudação. Dou as boas-vindas ao vosso Presidente, S. Exª. Dom Salvatore Pennacchio, ao vosso Prefeito dos Estudos, Mons. Gabriel Viola, e a vós, caros sacerdotes, que estais de volta da experiência do Ano Missionário, como um complemento à vossa formação na Pontifícia Academia Eclesiástica.

Na semana passada, ao encontrar vossos colegas da Alma mater dos diplomatas pontifícios, tive a oportunidade de reafirmar o valor dessa intuição formativa introduzida pelo meu venerado predecessor. Eu os exortei a serem e permanecerem «pastores com os pés no chão», para encarnar a figura do sacerdote a serviço do Papa nas Representações pontifícias, bem delineada no Quirógrafo Il ministero petrino, com o qual se quis dar um novo impulso à vossa milenar Instituição, que em breve celebrará o 325º aniversário de fundação.

Como afirmei em algumas ocasiões durante o recente Jubileu da Santa Sé, a preservação daquela solicitude por todas as Igrejas – própria do ministério que me foi confiado – necessita do fiel e insubstituível serviço da Secretaria de Estado e dos Representantes Pontifícios, com os quais vós começareis a colaborar em breve.

Por isso, exorto também a vós a exercerdes o dom do vosso sacerdócio com humildade e mansidão, capacidade de escuta e proximidade, como fiéis e incansáveis discípulos de Cristo Bom Pastor. Quaisquer que sejam as tarefas que vos forem confiadas, em qualquer parte do mundo em que vos encontreis, o Papa deve poder contar com sacerdotes que, na oração como no trabalho, não se poupem em levar a Sua proximidade aos povos e às Igrejas com seu testemunho.

Agradeço mais uma vez pela docilidade e abnegação com que, neste último ano, vós vos dedicastes em contextos tão diversos e abençoo de coração o início do vosso ministério no serviço diplomático da Santa Sé. 

quarta-feira, 18 de junho de 2025

Nos 500 anos de nascimento de Palestrina


Depois de ouvir essas vozes angelicais, seria quase melhor não falar e nos deixar levar por essa belíssima experiência... 

Giovanni Pierluigi da Palestrina foi, na história da Igreja, um dos compositores que mais contribuiu para a promoção da música sacra, para «a glória de Deus e a santificação e edificação dos fiéis», no delicado e ao mesmo tempo empolgante contexto da Contra-Reforma. Suas composições, solenes e austeras, inspiradas no canto gregoriano, unem estreitamente música e liturgia, «tanto dando à oração uma expressão mais suave e favorecendo a unanimidade, como enriquecendo com maior solenidade os ritos sagrados» 

A polifonia em si, por sua vez, é uma forma musical carregada de significado, para a oração e para a vida cristã. Antes de tudo, ela se inspira no Texto sagrado, que se propõe a «vestir com adequada melodia» para que chegue melhor «à inteligência dos fiéis». 

Graças a essa riqueza de forma e conteúdo, a tradição polifônica romana, além de nos ter deixado um imenso patrimônio de arte e espiritualidade, continua a ser hoje, no campo musical, um ponto de referência a ser considerado, ainda que com os devidos ajustes, na composição sacra e litúrgica, para que através do canto «os fiéis participem plenamente, conscientemente e ativamente da liturgia» (Sacrosanctum Concilium, 14), com profundo envolvimento de voz, mente e coração. De tudo isso, a Missa Papae Marcelli, em seu gênero, é um exemplo por excelência, assim como o precioso repertório de composições deixado por nosso inesquecível Cardeal Domenico Bartolucci, ilustre compositor e, por quase cinquenta anos, diretor da Cappella Musicale Pontificia “Sistina”.

Texto completo aqui. 

Audiência Geral - A Cura do Paralítico


Continuemos a contemplar Jesus que cura. Hoje gostaria de vos convidar a pensar de modo especial nas situações em que nos sentimos “bloqueados” e fechados num beco sem saída. Com efeito, às vezes parece-nos que é inútil continuar a esperar; resignamo-nos e já não queremos lutar. Esta situação é descrita nos Evangelhos com a imagem da paralisia. Por isso, hoje gostaria de meditar sobre a cura de um paralítico, narrada no quinto capítulo do Evangelho de São João (5, 1-9).

Jesus vai a Jerusalém para uma festa dos judeus. Não vai imediatamente ao Templo; detém-se perto de uma porta, onde provavelmente se lavavam as ovelhas que depois eram oferecidas nos sacrifícios. Perto daquela porta paravam também muitos doentes que, ao contrário das ovelhas, eram excluídos do Templo por serem considerados impuros! Assim, é o próprio Jesus que vai ao encontro deles na sua dor. Estas pessoas esperavam um milagre que pudesse mudar o seu destino; com efeito, ao lado da porta havia uma piscina, cujas águas eram consideradas taumatúrgicas, isto é, capazes de curar: em certos momentos, a água agitava-se e, segundo a crença daquela época, quem se imergisse primeiro ficava curado.

Assim, criava-se uma espécie de “guerra entre pobres”: podemos imaginar a triste cena destes doentes que se arrastavam cansativamente para entrar na piscina. Aquela piscina chamava-se Betesda, que significa “casa da misericórdia”: poderia ser uma imagem da Igreja, onde se reúnem os doentes e os pobres, onde o Senhor vem para curar e dar esperança.

Jesus dirige-se especificamente a um homem que está paralisado há trinta e oito anos. Já está resignado, porque nunca consegue imergir-se na piscina quando a água se agita (cf. v. 7). Com efeito, muitas vezes o que nos paralisa é precisamente a desilusão. Sentimo-nos desanimados e corremos o risco de cair na preguiça.

A este paralítico Jesus faz uma pergunta que pode parecer supérflua: «Queres ficar curado?» (v. 6). No entanto, é uma pergunta necessária, pois quando se está bloqueado há tantos anos, pode faltar até a vontade de se curar. Às vezes preferimos permanecer na condição de doentes, obrigando os outros a cuidar de nós. É por vezes até um pretexto para não decidir o que fazer da nossa vida. Jesus, pelo contrário, remete este homem para o seu desejo mais verdadeiro e profundo.

Efetivamente, este homem responde de maneira mais articulada à pergunta de Jesus, revelando a sua visão da vida. Em primeiro lugar, diz que não tem ninguém que o mergulhe na piscina: portanto, a culpa não é dele, mas dos outros que não cuidam dele. Esta atitude torna-se pretexto para evitar as próprias responsabilidades. Mas é realmente verdade que não havia ninguém que o ajudasse? Eis a resposta iluminadora de Santo Agostinho: «Sim, para ser curado, tinha absolutamente necessidade de um homem, mas de um homem que também fosse Deus. [...] Portanto, chegou o homem que era necessário; porquê continuar a adiar a cura?» (Homilia 17, 7).

Depois, o paralítico acrescenta que, quando procura entrar na piscina, há sempre alguém que chega antes dele. Este homem exprime uma visão fatalista da vida. Pensamos que as coisas nos acontecem porque não temos sorte, porque o destino nos é adverso. Este homem está desanimado! Sente-se derrotado na luta da vida.

No entanto, Jesus ajuda-o a descobrir que a sua vida está também nas suas mãos. Convida-o a levantar-se, a sair da sua situação crónica e a pegar na sua maca (cf. v. 8). Aquele catre não deve ser deixado nem abandonado: representa o seu passado de doença, é a sua história. O passado bloqueou-o até àquele momento; obrigou-o a ficar deitado como um morto. Agora é ele que pode pegar naquela maca e levá-la para onde quiser: pode decidir o que fazer com a sua história! Trata-se de caminhar, assumindo a responsabilidade de escolher que caminho seguir. E isto graças a Jesus!

Caríssimos irmãos e irmãs, peçamos ao Senhor o dom de compreender onde a nossa vida se bloqueou. Procuremos dar voz ao nosso desejo de cura. E oremos por todos aqueles que se sentem paralisados, que não veem uma saída. Peçamos para voltar a habitar no Coração de Cristo, que é a verdadeira casa da misericórdia!

terça-feira, 17 de junho de 2025

À Conferência Episcopal Italiana


Em virtude do vínculo privilegiado entre o Papa e os Bispos italianos, desejo indicar algumas atenções pastorais que o Senhor coloca diante do nosso caminho e que requerem reflexão, ação concreta e testemunho evangélico. 

Em primeiro lugar, é necessário um impulso renovado no anúncio e na transmissão da fé. Trata-se de colocar Jesus Cristo no centro e, no caminho indicado pela Evangelii gaudium, ajudar as pessoas a viver uma relação pessoal com Ele, para descobrir a alegria do Evangelho. 

A relação com Cristo nos chama a desenvolver uma atenção pastoral sobre o tema da paz. O Senhor, de fato, nos envia ao mundo para levar o seu próprio dom: “A paz esteja convosco!”, e para nos tornarmos artífices dela nos lugares da vida cotidiana. Penso nas paróquias, nos bairros, nas áreas interiores do país, nas periferias urbanas e existenciais. 

Existem também os desafios que interpelam o respeito pela dignidade da pessoa humana. A inteligência artificial, as biotecnologias, a economia dos dados e as mídias sociais estão transformando profundamente nossa percepção e nossa experiência da vida. Nesse cenário, a dignidade humana corre o risco de ser diminuída ou esquecida, substituída por funções, automatismos e simulações. 

Recomendo, em particular, cultivar a cultura do diálogo. É bonito que todas as realidades eclesiais – paróquias, associações e movimentos – sejam espaços de escuta intergeracional, de confronto com mundos diferentes, de cuidado com as palavras e com as relações. 

Anúncio do Evangelho, paz, dignidade humana, diálogo: são essas as coordenadas através das quais vós podereis ser uma Igreja que encarna o Evangelho e é sinal do Reino de Deus. 

Texto completo aqui.

segunda-feira, 16 de junho de 2025

Aos Peregrinos da República Democrática do Congo


Com alegria vos acolho, após a beatificação de Floribert Bwana Chui. Saúdo os Bispos presentes, em particular aqueles da República Democrática do Congo, entre os quais o Bispo de Goma, diocese onde viveu o novo Beato. Saúdo a mãe e os familiares do Beato Floribert, assim como a Comunidade de Sant’Egidio, da qual ele fazia parte. Este jovem encontrou o martírio em Goma, no dia 8 de julho de 2007. 

De onde um jovem tirou a força para resistir à corrupção, enraizada na mentalidade corrente e capaz de toda violência? A escolha de manter as mãos limpas — ele era funcionário da alfândega — se desenvolveu em uma consciência formada pela oração, pela escuta da Palavra de Deus e pela comunhão com os irmãos.

Foi um homem de paz. Em uma região tão sofrida como o Kivu, marcada pela violência, ele levava adiante sua batalha pela paz com mansidão, servindo os pobres, praticando a amizade e o encontro em uma sociedade dilacerada. Uma religiosa lembrou que ele dizia: «A comunidade coloca todos os povos à mesma mesa».

Este jovem, nada conformado com o mal, tinha um sonho, que se nutria das palavras do Evangelho e da proximidade com o Senhor. Muitos jovens se sentiam abandonados e sem esperança, mas Floribert ouvia a palavra de Jesus: «Não os deixarei órfãos; voltarei para vocês» (Jo 14,18). 

Este mártir africano, em um continente rico em jovens, mostra como eles podem ser um fermento de paz “desarmada e desarmante”. Este leigo congolês ressalta o valor precioso do testemunho dos leigos e dos jovens. Que, então, pela intercessão da Virgem Maria e do Beato Floribert, se realize em breve a tão esperada paz no Kivu, no Congo e em toda a África! Obrigado.

Texto completo aqui. 

Aos Estudantes e Estudiosos da Specola Vaticana


Estou feliz por ter esta oportunidade de saudar a todos vós, estudantes e estudiosos de várias partes do mundo que participais da Escola de Verão da Specola Vaticana. Ofereço meus melhores votos para que esta experiência de viver e estudar juntos não seja apenas um enriquecimento acadêmico e pessoal, mas também ajude a desenvolver amizades e formas de colaboração que certamente contribuirão para o progresso da ciência a serviço da nossa única família humana.

A Escola de Verão deste ano é dedicada — assim me dizem — ao tema Explorar o universo com o telescópio espacial James Webb. Sem dúvida, este deve ser um momento empolgante para serdes astrônomos! 

Os autores das Sagradas Escrituras, escrevendo há tantos séculos, não puderam beneficiar-se desse privilégio. No entanto, sua imaginação poética e religiosa refletiu sobre como poderia ter sido o momento da criação, quando “As estrelas brilham em seus postos e se alegram; ele as chama e respondem: ‘Aqui estamos!’ e brilham de alegria por aquele que as criou” (Baruc 3, 34). Hoje, as imagens do James Webb não nos enchem de maravilha e, de fato, de uma alegria misteriosa enquanto contemplamos sua sublime beleza?

Naturalmente, nenhum de vós chegou a este ponto sozinho. Cada um de vós faz parte de uma comunidade muito maior. Pensai em todas as pessoas que, nos últimos trinta anos, trabalharam para construir o Telescópio Espacial e seus instrumentos, e em aqueles que trabalharam para elaborar as ideias científicas para as quais ele foi concebido. Além da contribuição de vossos colegas cientistas, engenheiros e matemáticos, é também graças ao apoio de vossas famílias e de muitos amigos que vós pudestes apreciar e participar desta extraordinária empreitada, que nos permitiu ver de uma nova forma o mundo ao nosso redor.

Que Deus os abençoe.

Texto completo aqui.

Aos Bispos de Madagascar


É com grande alegria que vos acolho hoje junto à tumba do apóstolo Pedro, a vós pastores da Igreja que está em Madagascar, que viestes a Roma em peregrinação jubilar. Este encontro tem para mim um significado especial, pois é o nosso primeiro encontro. Agradeço ao Senhor por esta oportunidade de fraternidade em Cristo.

Devo também dizer-vos que admiro a vossa decisão de vir todos juntos a Roma, como bispos de Madagascar. 

Agradeço pela vitalidade missionária das vossas Igrejas particulares, herdeiras do testemunho dos santos que, para levar o Evangelho a esta terra distante, não temeram nem a rejeição nem a perseguição. Gostaria de lembrar Henri de Solages, o primeiro missionário que não se deixou desanimar pelo fracasso e pela prisão, ou o santo mártir Jacques Berthieu, cujo sangue foi semente de cristãos em Madagascar. Que seu exemplo continue a fortalecer-vos na entrega de vós mesmos a Cristo e à sua Igreja, entre os sucessos e as provações pastorais que enfrentais para alcançar o povo de Deus nas diversas realidades de vossas dioceses!

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sábado, 14 de junho de 2025

Audiência Jubilar - Irineu de Lyon


A esperança que nos reúne é a transmitida pelos Apóstolos desde o princípio. Os Apóstolos viram em Jesus a terra se ligar ao céu: com os olhos, os ouvidos, as mãos acolheram o Verbo da vida. O Jubileu é uma porta aberta para este mistério. O ano jubilar conecta mais radicalmente o mundo de Deus ao nosso. Convida-nos a levar a sério o que oramos todos os dias: «Assim na terra como no céu». Esta é a nossa esperança. Eis o aspecto que hoje gostaríamos de aprofundar: esperar é conectar.

Um dos maiores teólogos cristãos, o bispo Irineu de Lyon, nos ajudará a reconhecer como é bela e atual essa esperança. Irineu nasceu na Ásia Menor e se formou entre aqueles que conheceram diretamente os Apóstolos. Depois, veio à Europa, porque em Lyon já se havia formado uma comunidade de cristãos provenientes de sua própria terra. Como é bom lembrá-lo aqui, em Roma, na Europa! O Evangelho foi trazido a este continente de fora. E também hoje as comunidades de migrantes são presenças que revitalizam a fé nos países que as acolhem. O Evangelho vem de fora. Irineu conecta Oriente e Ocidente. Já isso é um sinal de esperança, pois nos lembra como os povos continuam a se enriquecer mutuamente.

Irineu, no entanto, tem um tesouro ainda maior para nos doar. As divisões doutrinárias que encontrou dentro da comunidade cristã, os conflitos internos e as perseguições externas não o desencorajaram. Pelo contrário, em um mundo em frangalhos, aprendeu a pensar melhor, trazendo cada vez mais profundamente a atenção a Jesus. Tornou-se um cantor de sua pessoa, na verdade, de sua carne. Reconheceu, de fato, que Nele o que nos parece oposto se recompõe em unidade. Jesus não é uma parede que separa, mas uma porta que nos une. É preciso permanecer Nele e distinguir a realidade das ideologias.

Queridos irmãos e irmãs, mesmo hoje as ideias podem enlouquecer e as palavras podem matar. A carne, por outro lado, é o que todos nós somos; é o que nos liga à terra e às outras criaturas. A carne de Jesus deve ser acolhida e contemplada em cada irmão e irmã, em cada criatura. Ouçamos o grito da carne, sintamo-nos chamados pelo nome pela dor do outro. O mandamento que recebemos desde o princípio é o de um amor recíproco. Está escrito em nossa carne, antes de qualquer lei.

Irineu, mestre da unidade, nos ensina a não opor, mas a conectar. Há inteligência não onde se separa, mas onde se conecta. Distinção é útil, mas divisão nunca. Jesus é a vida eterna no meio de nós: Ele reúne os opostos e torna possível a comunhão.

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quinta-feira, 12 de junho de 2025

Ao Clero de Roma


Agradeço-vos pela vossa vida confiada ao serviço do Reino, pelo vosso trabalho diário, por tanta generosidade no exercício do ministério, por tudo o que viveis em silêncio e que, às vezes, é acompanhado por sofrimentos ou incompreensões. Desempenhais diferentes serviços, mas todos vós sois preciosos aos olhos de Deus e na realização do seu desígnio.

A primeira nota, que me é particularmente cara, é relativa à unidade e à comunhão. Na chamada oração “sacerdotal”, como sabemos, Jesus pediu ao Pai que os seus fossem um (cf. Jo 17, 20-23). O Senhor sabe bem que só unidos a Ele e entre nós podemos dar fruto e testemunho credível ao mundo. 

Gostaria de vos ajudar, de caminhar convosco, para que cada um recupere a serenidade no seu ministério; mas, precisamente por isso, peço-vos um ímpeto na fraternidade presbiteral, que mergulha as suas raízes numa sólida vida espiritual, no encontro com o Senhor e na escuta da sua Palavra. Alimentados por esta linfa, conseguimos viver relações de amizade, competindo na estima recíproca (cf. Rm 12, 10); sentimos a necessidade do outro para crescer e alimentar a mesma tensão eclesial.

Peço a todos que prestem atenção ao caminho pastoral desta Igreja, que é local, mas devido a quem a preside é também universal. Caminhar juntos é sempre garantia de fidelidade ao Evangelho; juntos e em harmonia, procurando enriquecer a Igreja com o próprio carisma, mas tendo a peito o único corpo do qual Cristo é a Cabeça.

A segunda nota que vos desejo transmitir é relativa à exemplaridade. Peço-vos com o coração de pai e pastor: esforcemo-nos todos por ser sacerdotes credíveis e exemplares! Estamos conscientes dos limites da nossa natureza e o Senhor conhece-nos profundamente; mas recebemos uma graça extraordinária, foi-nos confiado um tesouro precioso do qual somos ministros, servidores. E ao servo pede-se fidelidade.  Se juntos procurarmos ser exemplares numa vida humilde, então conseguiremos exprimir a força renovadora do Evangelho para cada homem e mulher.

Uma última nota que vos quero confiar é a do olhar para os desafios do nosso tempo em chave profética. Preocupa-nos e amargura-nos quanto acontece todos os dias no mundo: ferem-nos as violências que geram morte, somos interpelados pelas desigualdades, pelas pobrezas, por tantas formas de marginalização social, pelo sofrimento generalizado que assume as feições de um mal-estar que já não poupa ninguém. 

O Senhor quis-nos precisamente a nós neste tempo cheio de desafios que, às vezes, nos parecem maiores do que as nossas forças! Somos chamados a abraçar estes desafios, a interpretá-los evangelicamente, a vivê-los como ocasiões de testemunho. Não os evitemos! 

Caríssimos, asseguro-vos a minha proximidade, o meu afeto e a minha disponibilidade para caminhar convosco. 

Texto completo aqui. 

quarta-feira, 11 de junho de 2025

Audiência Gera - Bartimeu


Com esta catequese, gostaria de orientar o nosso olhar para outro aspeto essencial da vida de Jesus: ou seja, as suas curas. Por isso, convido-vos a colocar diante do Coração de Cristo as vossas partes mais dolorosas ou frágeis, aqueles lugares da vossa vida onde vos sentis parados e bloqueados. Peçamos ao Senhor com confiança que ouça o nosso grito e nos cure!

O personagem que nos acompanha nesta reflexão ajuda-nos a compreender que nunca devemos abandonar a esperança, mesmo quando nos sentimos perdidos. Trata-se de Bartimeu, cego e mendigo, que Jesus encontrou em Jericó (cf. Mc 10, 40-52). 

O que podemos fazer quando nos encontramos numa situação que parece sem saída? Bartimeu ensina-nos a apelar aos recursos que temos em nós e que fazem parte de nós. Ele é um mendigo, sabe pedir, aliás consegue gritar! Se desejas realmente algo, fazes tudo para o poder alcançar, até quando os outros te censuram, te humilham e te dizem para desistir. Se o desejas realmente, continua a gritar!

Bartimeu é cego, mas paradoxalmente vê melhor do que os outros e reconhece quem é Jesus! Perante o seu grito, Jesus detém-se e chama-o (cf. v. 49), pois não há grito que Deus não ouça, até quando não estamos conscientes de nos dirigirmos a Ele (cf. Ex 2, 23). 

No entanto, muitas vezes o que nos bloqueia são precisamente as nossas aparentes seguranças, aquilo que vestimos para nos defendermos e que, pelo contrário, nos impede de caminhar. Para ir ao encontro de Jesus e para se deixar curar, Bartimeu deve expor-se a Ele em toda a sua vulnerabilidade. Esta é a passagem fundamental para qualquer caminho de cura.

Até a pergunta que Jesus lhe dirige parece estranha: «Que queres que eu te faça?» (v. 51). Mas, na realidade, não é óbvio que queiramos ser curados das nossas doenças, às vezes preferimos ficar parados para não assumir responsabilidades. A resposta de Bartimeu é profunda: utiliza o verbo anablepein, que pode significar “ver de novo”, mas que poderíamos traduzir também como “elevar o olhar”. Com efeito, Bartimeu não só quer voltar a ver, mas também quer recuperar a sua dignidade

O que salva Bartimeu, e cada um de nós, é a fé. Jesus cura-nos para podermos ser livres

Texto completo aqui.

 

terça-feira, 10 de junho de 2025

Aos Representantes Pontifícios

Vós sois, já com as vossas pessoas, uma imagem da Igreja Católica, porque não existe em nenhum país do mundo um Corpo diplomático tão universal como o nosso! Porém, ao mesmo tempo, creio que se pode dizer igualmente que nenhum país do mundo tem um Corpo diplomático tão unido como vós estais unidos: porque a vossa, a nossa comunhão não é apenas funcional, nem apenas ideal, mas estamos unidos em Cristo e estamos unidos na Igreja. É interessante refletir sobre este fato: que a diplomacia da Santa Sé constitui, em seu próprio pessoal, um modelo – não certamente perfeito, mas muito significativo – da mensagem que propõe, ou seja, da fraternidade humana e da paz entre todos os povos. 

E agora gostaria de compartilhar convosco uma imagem bíblica que me veio à mente ao pensar na vossa missão em relação à minha. No início dos Atos dos Apóstolos (3,1-10), o relato da cura do coxo descreve bem o ministério de Pedro. Estamos nos albores da experiência cristã e a primeira comunidade, reunida em torno dos Apóstolos, sabe que pode contar com uma única realidade: Jesus, ressuscitado e vivo. Um homem coxo está sentado pedindo esmola à porta do Templo. Parece a imagem de uma humanidade que perdeu a esperança e está resignada. Até hoje, a Igreja encontra frequentemente homens e mulheres que não têm mais alegrias, que a sociedade colocou à margem, ou que a vida os forçou, de certo modo, a mendigar a existência. Assim relata esta passagem dos Atos: “Então Pedro fixou o olhar nele juntamente com João e disse: ‘Olha para nós’. E ele se voltou para eles, esperando receber alguma coisa. Mas Pedro lhe disse: ‘Não possuo nem prata nem ouro, mas o que tenho te dou: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda!’. E, tomando-o pela mão direita, o levantou. De repente, seus pés e tornozelos se fortaleceram e, saltando, pôs-se em pé e começou a andar; e entrou com eles no Templo, caminhando, saltando e louvando a Deus” (3,4-8).

A solicitação que Pedro faz a este homem nos faz refletir: “Olha para nós!”. Olhar nos olhos significa construir uma relação. O ministério de Pedro é criar relações, pontes; e um Representante do Papa está, acima de tudo, a serviço deste convite, deste olhar nos olhos. Sede sempre o olhar de Pedro! Sede homens capazes de construir relações onde é mais difícil. Mas ao fazer isso, conservai a mesma humildade e o mesmo realismo de Pedro, que sabe muito bem que não tem a solução para tudo: “Não tenho nem ouro nem prata”, diz; mas sabe também que tem o que realmente importa, ou seja, Cristo, o sentido mais profundo de toda a existência: “Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, anda!”

Caros irmãos, que vos console sempre o fato de que o vosso serviço está sub umbra Petri, como encontrareis gravado no anel que recebereis como meu presente. Sentí-vos sempre ligados a Pedro, guardados por Pedro, enviados por Pedro. Somente na obediência e na comunhão efetiva com o Papa o vosso ministério poderá ser eficaz para a edificação da Igreja, em comunhão com os Bispos locais.

Texto completo aqui.

sábado, 7 de junho de 2025

Aos participantes do Simpósio Ecumênico pelos 1700 anos do Concílio de Niceia

A paz esteja convosco!

Eminências,
Excelências,
Egrégios Professores,
Queridos irmãos e irmãs em Cristo,

Uma calorosa saudação de boas-vindas a todos vós, que participais no Simpósio Niceia e a Igreja do Terceiro Milénio: Rumo à unidade Católico-Ortodoxa, organizado conjuntamente pelo Œcumenicum – o Instituto de Estudos Ecumênicos do Angelicum – e pela Associação Teológica Ortodoxa Internacional. A minha saudação vai, de modo especial, para os representantes das Igrejas Ortodoxas e Ortodoxas Orientais, muitos dos quais me honraram com a sua presença na Missa que marcou o início solene do meu Pontificado. 

Antes de continuar com as observações formais, gostaria apenas de pedir desculpa pelo meu atraso e também de pedir a vossa paciência. Ainda não passou um mês desde que assumi o novo cargo, por isso, há ainda muito para aprender. No entanto, estou muito feliz por estar aqui convosco esta manhã.

Apraz-me constatar que o Simpósio está resolutamente orientado para o futuro. O Concílio de Niceia não é apenas um acontecimento do passado, mas uma bússola que deve continuar a guiar-nos em direção à plena unidade visível dos cristãos. O Primeiro Concílio Ecumênico é basilar para o caminho comum que católicos e ortodoxos empreenderam juntos desde o Concílio Vaticano II. Para as Igrejas Orientais, que o comemoram no seu calendário litúrgico, o Concílio de Niceia não é apenas um Concílio entre outros ou o primeiro de uma série, mas o Concílio por excelência, que promulgou a norma da fé cristã, a confissão de fé dos “318 Padres”.

Os três temas do vosso Simpósio são especialmente relevantes para o nosso caminho ecuménico. Em primeiro lugar, a fé de Niceia. Como a Comissão Teológica Internacional observou no seu recente Documento para o 1700º aniversário de Niceia, o ano 2025 representa «uma oportunidade inestimável para sublinhar o que temos em comum, que é muito mais forte, quantitativa e qualitativamente, do que aquilo que nos divide: juntos, cremos no Deus Uno e Trino, em Cristo como verdadeiro homem e verdadeiro Deus, na salvação por Jesus Cristo, segundo as Escrituras lidas na Igreja e sob a direção do Espírito Santo. Juntos, cremos a Igreja, o batismo, a ressurreição dos mortos a vida eterna». (Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador, n. 43). Estou convencido de que, voltando ao Concílio de Niceia e haurindo juntos desta fonte comum, poderemos ver sob uma luz diferente os pontos que ainda nos separam. Através do diálogo teológico e com a ajuda de Deus, compreenderemos melhor o mistério que nos une. Celebrando unidos esta fé nicena e proclamando-a em conjunto, avançaremos também para a restauração da plena comunhão entre nós.

O segundo tema do vosso Simpósio é a sinodalidade. O Concílio de Niceia inaugurou um caminho sinodal para a Igreja dar seguimento às questões teológicas e canónicas a nível universal. O contributo dos delegados fraternos das Igrejas e comunidades eclesiais do Oriente e do Ocidente para o recente Sínodo sobre a sinodalidade, realizado aqui no Vaticano, foi um estímulo valioso para uma reflexão ainda maior sobre a natureza e a prática da sinodalidade. O Documento Final do Sínodo observou que «o diálogo ecuménico é fundamental para desenvolver a compreensão da sinodalidade e da unidade da Igreja» e prosseguiu encorajando o desenvolvimento de «práticas sinodais ecuménicas, até mesmo formas de consulta e discernimento sobre assuntos de interesse comum e urgente» (Para uma Igreja Sinodal: Comunhão, Participação, Missão, n. 138). Espero que a preparação e a comemoração conjunta do 1700º aniversário do Concílio de Niceia sejam uma ocasião providencial «para aprofundar e confessar juntos a fé cristológica e para pôr em prática formas de sinodalidade entre os Cristãos de todas as tradições» (cf. ibid., n. 139).

O Simpósio possui um terceiro tema relacionado com a data da Páscoa. Como sabemos, um dos objetivos do Concílio de Niceia era estabelecer uma data comum para a Páscoa, a fim de exprimir a unidade da Igreja em toda a oikoumene. Infelizmente, as diferenças nos calendários já não permitem que os cristãos celebrem juntos a festa mais importante do ano litúrgico, causando problemas pastorais nas comunidades, dividindo as famílias e enfraquecendo a credibilidade do nosso testemunho do Evangelho. Foram propostas várias soluções concretas que, respeitando o princípio de Niceia, permitiriam aos cristãos celebrar juntos a “Festa das Festas”. Neste ano, em que todos os cristãos celebraram a Páscoa no mesmo dia, reafirmo a abertura da Igreja Católica para procurar uma solução ecuménica que favoreça a celebração comum da ressurreição do Senhor e dê assim maior força missionária ao nosso anúncio do «nome de Jesus e da salvação que nasce da fé na verdade do Evangelho» (Discurso às Pontifícias Obras Missionárias, 22 de maio de 2025).

Irmãos e irmãs, nesta vigília de Pentecostes, recordemos que a unidade pela qual os cristãos anseiam não será, em primeiro lugar, fruto dos nossos próprios esforços, nem se realizará através de qualquer projeto ou modelo preconcebido. Pelo contrário, a unidade será um dom recebido «como Cristo quiser e pelos meios que Ele quiser» (Oração pela Unidade do Padre Paul Couturier), mediante a ação do Espírito Santo. Sendo assim, neste momento convido-vos a ficar em pé para que juntos possamos implorar o dom da unidade do Espírito. A oração que recitarei implora a unidade do Espírito através de um texto inspirado pela tradição oriental:

“Ó Rei Celestial, Consolador, Espírito da Verdade,
Que estais em toda a parte e preencheis todas as coisas;
Tesouro de Bênçãos e Doador da Vida,
Vinde habitar em nós, purificai-nos de toda a impureza
e salvai as nossas almas, ó Único Bem”.

O Senhor esteja convosco! A bênção de Deus Todo-Poderoso, Pai, Filho e Espírito Santo desça sobre vós e permaneça convosco para sempre. Amen.

Muito obrigado!

sexta-feira, 6 de junho de 2025

Aos moderadores das Associações de Fiéis, Movimentos Eclesiais e das Novas Comunidades


O dom da vida associativa e dos carismas

As realidades agregadoras a que pertenceis são muito diversas, por natureza e por história, e todas são importantes para a Igreja. Algumas nasceram para partilhar um objetivo apostólico, caritativo de culto, ou para apoiar o testemunho cristão em ambientes sociais específicos. Outras, porém, nasceram de uma inspiração carismática, de um carisma inicial que deu origem a um movimento, a uma nova forma de espiritualidade e de evangelização.

Na vontade de se associar, que deu origem ao primeiro tipo de agregação, encontramos uma caraterística essencial: ninguém é cristão sozinho! Fazemos parte de um povo, de um corpo que o Senhor constituiu. Santo Agostinho, falando dos primeiros discípulos de Jesus, diz: «Tinham-se tornado certamente o templo de Deus, e não o tinham sido apenas individualmente, mas no seu conjunto tinham-se tornado o templo de Deus» (En. in Ps. 1315). A vida cristã não é vivida isoladamente, como se fosse uma aventura intelectual ou sentimental, confinada na nossa mente e no nosso coração. Vive-se com outros, em grupo, em comunidade, porque Cristo ressuscitado se faz presente entre os discípulos reunidos em seu nome.

Depois, há as realidades nascidas de um carisma: o carisma de um fundador ou de um grupo de iniciadores, ou o carisma que se inspira no de um instituto religioso. Também esta é uma dimensão essencial na Igreja. 

Assim, tudo na Igreja é entendido com referência à graça: a instituição existe para que a graça seja sempre oferecida, os carismas são suscitados para que essa graça seja recebida e dê frutos. Sem os carismas, corre-se o risco de que a graça de Cristo, oferecida em abundância, não encontre terreno propício para a receber! É por isso que Deus suscita os carismas, para que despertem nos corações o desejo de um encontro com Cristo, a sede da vida divina que Ele nos oferece, numa palavra, a graça!

Com isto quero reafirmar, na esteira dos meus Predecessores e do Magistério da Igreja, sobretudo a partir do Concílio Vaticano II, que os dons hierárquicos e os dons carismáticos «são coessenciais à constituição divina da Igreja fundada por Jesus». 

Unidade e missão, em união com o Papa

Unidade e missão são duas pedras angulares na vida da Igreja e duas prioridades no ministério petrino. Por isso, convido todas as associações e os movimentos eclesiais a colaborar fiel e generosamente com o Papa, especialmente nestes dois âmbitos.

Esta unidade, que viveis nos grupos e nas comunidades, expandi-a por toda a parte: na comunhão com os Pastores da Igreja, na proximidade com as outras realidades eclesiais, na proximidade com as pessoas que encontrais.

Mantende sempre vivo entre vós este zelo missionário: os movimentos desempenham ainda hoje um papel fundamental na evangelização. Ponde os vossos talentos ao serviço da missão, quer nos lugares da primeira evangelização, quer nas paróquias e nas estruturas eclesiais locais, para chegar a tantos que estão longe e, por vezes sem o saber, esperam a Palavra de Vida.

Conclusão

Mantende sempre o Senhor Jesus no centro! Isto é o essencial, e os próprios carismas servem para isto. O carisma serve para o encontro com Cristo, para o crescimento e amadurecimento humano e espiritual das pessoas e para a edificação da Igreja. Neste sentido, todos somos chamados a imitar Cristo, que se esvaziou a si mesmo para nos enriquecer (cf. Fl 2, 7). Assim, quem persegue um objetivo apostólico com os outros ou quem é portador de um carisma é chamado a enriquecer os outros despojando-se de si mesmo. E isso é fonte de liberdade e de grande alegria.

Texto completo aqui.

Aos participantes de Capítulos Gerais de Institutos Religiosos


Saúdo os Superiores Gerais presentes, os membros dos órgãos de governo e todos vós, pertencentes à Terceira Ordem Regular de São Francisco, à Sociedade das Missões Africanas e ao Instituto dos Servos do Paráclito.

Vós representantes aqui três realidades carismáticas nascidas em diferentes momentos da história da Igreja, em resposta às exigências contingentes de natureza variada, mas unidas e complementares na beleza harmônica do Corpo Místico de Cristo.

Caríssimos, obrigado pela vossa visita, que hoje nesta sala nos mostra a Igreja em três dimensões luminosas de sua beleza: o empenho pela conversão, o entusiasmo as missões e o calor da misericórdia. Obrigado por tanto trabalho feito, em todo o mundo. Abençoo-vos e rezo por vós, nesta novena de Pentecostes, para que possamos ser sempre mais instrumentos dóceis do Espírito Santo segundo os projetos de Deus.

Texto completo aqui.

quinta-feira, 5 de junho de 2025

Encontro com a Pontifícia Comissão para a Tutela dos Menores


Nesta quinta-feira, o Santo Padre Leão XIV recebeu os integrantes da Pontifícia Comissão para a Tutela dos Menores, acompanhados do seu Presidente-Delegado o senhor Cardeal Seán Patrick O'MalleyO.F.M. Cap., Arcebispo Metropolita Emérito de Boston. 

Leia a notícia completa aqui.

Aos superiores e oficiais da Secretaria de Estado


A história desta Instituição remonta, como sabemos, ao final do século XV. Com o tempo, foi assumindo um rosto cada vez mais universal e ampliou-se consideravelmente, com progressão crescente, assimilando novas missões, em razão de novas exigências em âmbito eclesial e nas relações com os Estados e Organizações Internacionais.

Esse desenvolvimento fez com que hoje a Secretaria de Estado reflita em si mesma o rosto da Igreja. Trata-se de uma grande comunidade que trabalha junto com o Papa: juntos compartilhamos as interrogações, as dificuldades, os desafios e as esperanças do Povo de Deus, presente no mundo inteiro. E o fazemos expressando sempre duas dimensões essenciais: a encarnação e a catolicidade.

Estamos encarnados no tempo e na história, porque se Deus escolheu o caminho humano e a linguagem dos homens, também a Igreja é chamada a seguir esta estrada, de modo que a alegria do Evangelho possa alcançar todos e seja transmitida às culturas e às linguagens atuais. E, ao mesmo tempo, cuidamos de manter sempre um olhar católico, universal, que nos permita valorizar as diversas culturas e sensibilidades. Deste modo, podemos ser um centro propulsor que se empenha em tecer a comunhão entre a Igreja de Roma e as Igrejas locais, bem como as relações de amizade dentro da comunidade internacional.

Por isso, São Paulo VI — perito em Cúria Romana — quis dar a esta Instituição uma nova estrutura, constituindo-a de fato como um ponto de conexão e, consequentemente, estabeleceu-a em seu papel fundamental de coordenação dos Dicastérios e das Instituições da Sé Apostólica.

Sei que essas tarefas são muito exigentes e, algumas vezes, podem ser incompreendidas. E, precisamente por este reconhecimento que faço, permitam-me dirigir-lhes uma exortação, referindo-me uma vez mais a São Paulo VI: que este lugar não seja contaminado por ambições e antagonismos, ao contrário, sejam uma verdadeira comunidade de fé e de caridade, "de irmãos e de filhos do Papa", que se gastam generosamente para o bem da Igreja.

Texto completo aqui. 

quarta-feira, 4 de junho de 2025

Audiência Geral - os Operários na Vinha


A catequese de hoje é dedicada a uma parábola que nos enche de esperança. Às vezes, podemos nos sentir inúteis ou rejeitados, como os trabalhadores da última hora. Na praça dos negócios de hoje, o risco é ceder a propostas que não respeitem os valores do Evangelho. Ao contrário, a parábola fala de um proprietário que vai em busca de operários em qualquer momento do dia, oferecendo-lhes um sentido para a vida. Essa realidade torna-se clara com o pagamento: reconhecendo e afirmando a absoluta dignidade humana, o Senhor da vinha dá a todos o mesmo salário, isto é, aquilo que é necessário para viver. A decepção dos primeiros empregados leva-nos a compreender que a lógica da generosidade de Deus vai além da nossa concepção de justiça: Ele quer doar-se por inteiro a quem lhe abre o coração. 

À Delegação da National Italian American Foundation


Uma característica marcante de muitos que imigraram para os Estados Unidos da Itália foi sua fé católica, com suas ricas tradições de piedade popular e devoções que continuaram a praticar em sua nova nação. Essa fé os sustentou em momentos difíceis, mesmo quando chegaram com um senso de esperança por um futuro próspero em seu novo país.

Rezo para que cada um de vocês e suas famílias sempre valorizem o rico legado espiritual e cultural que herdaram daqueles que os precederam.

Texto completo em inglês aqui.

 

sexta-feira, 30 de maio de 2025

Encontro com o Patriarca de Constantinopla

Sua Santidade o Papa Leão XIV recebeu Sua Santidade o Patriarca Bartolomeu no Palácio Apostólico Vaticano. Eles já haviam se encontrado anteriormente numa audiência concedida pelo Sumo Pontífice aos representantes de Igrejas apostólicas sem comunhão com Roma e a outros líderes religiosos, que estiveram presentes na missa inaugural de seu pontificado.  

O Bispo de Roma e o Patriarca de Constantinopla representam os dois patriarcados mais importantes da Igreja do primeiro milênio. Roma, seguida por Constantinopla, Antioquia, Alexandria e Jerusalém constituíam a Pentarquia da Igreja indivisa. Esse período, profícuo na defesa da fé cristã contra as heresias, deu à Igreja os seus grandes concílios ecumênicos.

Entre as razões do encontro está a preparação da esperada visita do Papa de Roma à Turquia, para a celebração dos 1700 anos do Concílio de Niceia. Nesse concílio, realizado no ano 325, se reafirmou a Divindade de Jesus Cristo contra a doutrina judaizante de Ario. Posteriormente, no ano 381, foi completado pelo Concílio de Constantinopla e, como resultado de ambos, produziu-se o Credo Niceno-Constantinopolitano, máxima expressão da fé católica e ortodoxa.