terça-feira, 17 de junho de 2025

À Conferência Episcopal Italiana


Em virtude do vínculo privilegiado entre o Papa e os Bispos italianos, desejo indicar algumas atenções pastorais que o Senhor coloca diante do nosso caminho e que requerem reflexão, ação concreta e testemunho evangélico. 

Em primeiro lugar, é necessário um impulso renovado no anúncio e na transmissão da fé. Trata-se de colocar Jesus Cristo no centro e, no caminho indicado pela Evangelii gaudium, ajudar as pessoas a viver uma relação pessoal com Ele, para descobrir a alegria do Evangelho. 

A relação com Cristo nos chama a desenvolver uma atenção pastoral sobre o tema da paz. O Senhor, de fato, nos envia ao mundo para levar o seu próprio dom: “A paz esteja convosco!”, e para nos tornarmos artífices dela nos lugares da vida cotidiana. Penso nas paróquias, nos bairros, nas áreas interiores do país, nas periferias urbanas e existenciais. 

Existem também os desafios que interpelam o respeito pela dignidade da pessoa humana. A inteligência artificial, as biotecnologias, a economia dos dados e as mídias sociais estão transformando profundamente nossa percepção e nossa experiência da vida. Nesse cenário, a dignidade humana corre o risco de ser diminuída ou esquecida, substituída por funções, automatismos e simulações. 

Recomendo, em particular, cultivar a cultura do diálogo. É bonito que todas as realidades eclesiais – paróquias, associações e movimentos – sejam espaços de escuta intergeracional, de confronto com mundos diferentes, de cuidado com as palavras e com as relações. 

Anúncio do Evangelho, paz, dignidade humana, diálogo: são essas as coordenadas através das quais vós podereis ser uma Igreja que encarna o Evangelho e é sinal do Reino de Deus. 

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segunda-feira, 16 de junho de 2025

Aos Peregrinos da República Democrática do Congo


Com alegria vos acolho, após a beatificação de Floribert Bwana Chui. Saúdo os Bispos presentes, em particular aqueles da República Democrática do Congo, entre os quais o Bispo de Goma, diocese onde viveu o novo Beato. Saúdo a mãe e os familiares do Beato Floribert, assim como a Comunidade de Sant’Egidio, da qual ele fazia parte. Este jovem encontrou o martírio em Goma, no dia 8 de julho de 2007. 

De onde um jovem tirou a força para resistir à corrupção, enraizada na mentalidade corrente e capaz de toda violência? A escolha de manter as mãos limpas — ele era funcionário da alfândega — se desenvolveu em uma consciência formada pela oração, pela escuta da Palavra de Deus e pela comunhão com os irmãos.

Foi um homem de paz. Em uma região tão sofrida como o Kivu, marcada pela violência, ele levava adiante sua batalha pela paz com mansidão, servindo os pobres, praticando a amizade e o encontro em uma sociedade dilacerada. Uma religiosa lembrou que ele dizia: «A comunidade coloca todos os povos à mesma mesa».

Este jovem, nada conformado com o mal, tinha um sonho, que se nutria das palavras do Evangelho e da proximidade com o Senhor. Muitos jovens se sentiam abandonados e sem esperança, mas Floribert ouvia a palavra de Jesus: «Não os deixarei órfãos; voltarei para vocês» (Jo 14,18). 

Este mártir africano, em um continente rico em jovens, mostra como eles podem ser um fermento de paz “desarmada e desarmante”. Este leigo congolês ressalta o valor precioso do testemunho dos leigos e dos jovens. Que, então, pela intercessão da Virgem Maria e do Beato Floribert, se realize em breve a tão esperada paz no Kivu, no Congo e em toda a África! Obrigado.

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Aos Estudantes e Estudiosos da Specola Vaticana


Estou feliz por ter esta oportunidade de saudar a todos vós, estudantes e estudiosos de várias partes do mundo que participais da Escola de Verão da Specola Vaticana. Ofereço meus melhores votos para que esta experiência de viver e estudar juntos não seja apenas um enriquecimento acadêmico e pessoal, mas também ajude a desenvolver amizades e formas de colaboração que certamente contribuirão para o progresso da ciência a serviço da nossa única família humana.

A Escola de Verão deste ano é dedicada — assim me dizem — ao tema Explorar o universo com o telescópio espacial James Webb. Sem dúvida, este deve ser um momento empolgante para serdes astrônomos! 

Os autores das Sagradas Escrituras, escrevendo há tantos séculos, não puderam beneficiar-se desse privilégio. No entanto, sua imaginação poética e religiosa refletiu sobre como poderia ter sido o momento da criação, quando “As estrelas brilham em seus postos e se alegram; ele as chama e respondem: ‘Aqui estamos!’ e brilham de alegria por aquele que as criou” (Baruc 3, 34). Hoje, as imagens do James Webb não nos enchem de maravilha e, de fato, de uma alegria misteriosa enquanto contemplamos sua sublime beleza?

Naturalmente, nenhum de vós chegou a este ponto sozinho. Cada um de vós faz parte de uma comunidade muito maior. Pensai em todas as pessoas que, nos últimos trinta anos, trabalharam para construir o Telescópio Espacial e seus instrumentos, e em aqueles que trabalharam para elaborar as ideias científicas para as quais ele foi concebido. Além da contribuição de vossos colegas cientistas, engenheiros e matemáticos, é também graças ao apoio de vossas famílias e de muitos amigos que vós pudestes apreciar e participar desta extraordinária empreitada, que nos permitiu ver de uma nova forma o mundo ao nosso redor.

Que Deus os abençoe.

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Aos Bispos de Madagascar


É com grande alegria que vos acolho hoje junto à tumba do apóstolo Pedro, a vós pastores da Igreja que está em Madagascar, que viestes a Roma em peregrinação jubilar. Este encontro tem para mim um significado especial, pois é o nosso primeiro encontro. Agradeço ao Senhor por esta oportunidade de fraternidade em Cristo.

Devo também dizer-vos que admiro a vossa decisão de vir todos juntos a Roma, como bispos de Madagascar. 

Agradeço pela vitalidade missionária das vossas Igrejas particulares, herdeiras do testemunho dos santos que, para levar o Evangelho a esta terra distante, não temeram nem a rejeição nem a perseguição. Gostaria de lembrar Henri de Solages, o primeiro missionário que não se deixou desanimar pelo fracasso e pela prisão, ou o santo mártir Jacques Berthieu, cujo sangue foi semente de cristãos em Madagascar. Que seu exemplo continue a fortalecer-vos na entrega de vós mesmos a Cristo e à sua Igreja, entre os sucessos e as provações pastorais que enfrentais para alcançar o povo de Deus nas diversas realidades de vossas dioceses!

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domingo, 15 de junho de 2025

Santa Missa no Jubileu do Desporto

Na primeira Leitura, ouvimos as seguintes palavras: «Eis o que diz a Sabedoria de Deus: “O Senhor me criou como primícias da sua atividade, antes das suas obras mais antigas. […] Quando Ele consolidava os céus, eu estava presente; […] eu estava a seu lado como arquiteto, cheia de júbilo, dia após dia, deleitando-me continuamente na sua presença. Deleitava-me sobre a face da terra e as minhas delícias eram estar com os filhos dos homens”» (Pr 8, 22.27.30-31). Para Santo Agostinho, a Trindade e a sabedoria estão intimamente ligadas. A sabedoria divina é revelada na Santíssima Trindade e a sabedoria leva-nos sempre à verdade.

Hoje, enquanto celebramos a Solenidade da Santíssima Trindade, vivemos os dias do Jubileu do Desporto. O binómio Trindade-desporto não é usado com muita frequência, mas a associação não é descabida. Na verdade, toda boa atividade humana traz em si um reflexo da beleza de Deus, e certamente o desporto está entre elas

Alguns Padres da Igreja chegam mesmo a falar, com ousadia, de um Deus ludens, de um Deus que se diverte (cf. S. Salônio de Genebra, In Parabolas Salomonis expositio mystica; S. Gregório Nazianzeno, Carmina, I, 2, 589). Eis a razão pela qual o desporto pode ajudar-nos a encontrar o Deus Trino: porque exige um movimento do eu para o outro, que é certamente exterior, mas também e sobretudo interior. Sem isso, ele se reduz a uma estéril competição de egoísmos.

São João Paulo II – que era, como sabemos, um desportista – assim falou: «O desporto é alegria de viver, jogo, festa, e como tal deve ser valorizado […] mediante a recuperação da sua gratuitidade, da sua capacidade de estreitar vínculos de amizade, de favorecer o diálogo e a abertura de uns aos outros […] bem acima não só das duras leis da produção e do consumo, mas também de qualquer outra consideração puramente utilitarista e hedonista da vida»

Em primeiro lugar, numa sociedade marcada pela solidão, em que o individualismo exagerado deslocou o centro de gravidade do “nós” para o “eu”, fazendo com que o outro fosse ignorado, o desporto – especialmente quando é praticado em conjunto – ensina o valor da colaboração, do caminhar juntos, daquela partilha que, como já dissemos, está no coração mesmo da vida de Deus (cf. Jo16, 14-15). 

Em segundo lugar, numa sociedade cada vez mais digital – em que as tecnologias, embora aproximando pessoas distantes, muitas vezes afastam aqueles que estão próximos – o desporto valoriza a concretude do estar juntos, o sentido do corpo, do espaço, do esforço, do tempo real. .

Em terceiro lugar, numa sociedade competitiva, onde parece que apenas os fortes e os vencedores merecem viver, o desporto também ensina a perder, colocando o homem frente a frente, na arte da derrota, com uma das verdades mais profundas da sua condição: a fragilidade, o limite, a imperfeição. O atleta que nunca erra, que nunca perde, não existe. Os campeões não são máquinas infalíveis, mas homens e mulheres que, mesmo derrotados, encontram a coragem para se reerguer. 

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sábado, 14 de junho de 2025

Audiência Jubilar - Irineu de Lyon


A esperança que nos reúne é a transmitida pelos Apóstolos desde o princípio. Os Apóstolos viram em Jesus a terra se ligar ao céu: com os olhos, os ouvidos, as mãos acolheram o Verbo da vida. O Jubileu é uma porta aberta para este mistério. O ano jubilar conecta mais radicalmente o mundo de Deus ao nosso. Convida-nos a levar a sério o que oramos todos os dias: «Assim na terra como no céu». Esta é a nossa esperança. Eis o aspecto que hoje gostaríamos de aprofundar: esperar é conectar.

Um dos maiores teólogos cristãos, o bispo Irineu de Lyon, nos ajudará a reconhecer como é bela e atual essa esperança. Irineu nasceu na Ásia Menor e se formou entre aqueles que conheceram diretamente os Apóstolos. Depois, veio à Europa, porque em Lyon já se havia formado uma comunidade de cristãos provenientes de sua própria terra. Como é bom lembrá-lo aqui, em Roma, na Europa! O Evangelho foi trazido a este continente de fora. E também hoje as comunidades de migrantes são presenças que revitalizam a fé nos países que as acolhem. O Evangelho vem de fora. Irineu conecta Oriente e Ocidente. Já isso é um sinal de esperança, pois nos lembra como os povos continuam a se enriquecer mutuamente.

Irineu, no entanto, tem um tesouro ainda maior para nos doar. As divisões doutrinárias que encontrou dentro da comunidade cristã, os conflitos internos e as perseguições externas não o desencorajaram. Pelo contrário, em um mundo em frangalhos, aprendeu a pensar melhor, trazendo cada vez mais profundamente a atenção a Jesus. Tornou-se um cantor de sua pessoa, na verdade, de sua carne. Reconheceu, de fato, que Nele o que nos parece oposto se recompõe em unidade. Jesus não é uma parede que separa, mas uma porta que nos une. É preciso permanecer Nele e distinguir a realidade das ideologias.

Queridos irmãos e irmãs, mesmo hoje as ideias podem enlouquecer e as palavras podem matar. A carne, por outro lado, é o que todos nós somos; é o que nos liga à terra e às outras criaturas. A carne de Jesus deve ser acolhida e contemplada em cada irmão e irmã, em cada criatura. Ouçamos o grito da carne, sintamo-nos chamados pelo nome pela dor do outro. O mandamento que recebemos desde o princípio é o de um amor recíproco. Está escrito em nossa carne, antes de qualquer lei.

Irineu, mestre da unidade, nos ensina a não opor, mas a conectar. Há inteligência não onde se separa, mas onde se conecta. Distinção é útil, mas divisão nunca. Jesus é a vida eterna no meio de nós: Ele reúne os opostos e torna possível a comunhão.

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